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Ivon Curi

 

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Ouça um pouco da voz de Ivon Cury

Filho de Maria Curi e do comerciante José Kalil Curi. Teve oito irmãos, entre eles os locutores da Rádio Nacional Alberto e Jorge Curi.

Estudou até o curso ginasial em sua cidade natal. No início dos anos 1940 transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro onde cursou o científico. Aos 11 anos de idade, ainda em Caxambu, ganhou um concurso de calouros onde interpretou "J'attendrai", música que fazia grande sucesso na voz de seu maior ídolo: Jean Sablon. No Rio de Janeiro trabalhou na extinta companhia aérea Panair. Nessa ocasião, cantou diversas vezes no programa comandado por Paulo Gracindo na Rádio Tupi, "Seqüência G-3", porém de forma ainda amadora. Em 1961, casou-se com Ivone Freitas Curi, que lhe deu quatro filhos: Ivana, Ivan, Ivna e Ivo.

Iniciou sua carreira profissional como cantor em 1947, já residindo no Rio de Janeiro, onde foi contratado como crooner da orquestra do maestro Zaccarias, do Hotel Copacabana Palace, com a indicação dos cantores Nuno Roland e Elda Maida. Em 1948, estreou no programa "Ritmos da Panair", da Rádio Nacional. Por coincidência, este programa tinha o patrocínio da empresa onde trabalhara antes de iniciar sua carreira como cantor. Ainda em 1948, foi convidado por Braguinha (João de Barro), então diretor artístico da Continental, para gravar o sucesso internacional da época "Nature boy". Desta forma foi lançado o 78 rpm que incluiu também sua interpretação para "Adeus", samba de Dorival Caymmi. Esta gravação foi realizada nos estúdios da Rádio Nacional, pois deveria ter o acompanhamento do organista Francisco Scarambone, e, como o órgão não tinha como sair da emissora, a gravação foi realizada lá mesmo. Mais tarde esta gravação foi substituída por outra, gravada em um estúdio adequado e com acompanhamento do maestro Radamés Gnatalli e seu conjunto. No mesmo ano lançou mais um disco, desta vez com as músicas "Pigalle" e "La vie en rose".

Gravou em 1949, ao lado de Carmélia Alves, o baião "Me leva", de Hervé Cordovil e Rochinha e a rancheira "Gauchita", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, pela Continental. Apesar do sucesso alcançado com as gravações ao lado de Carmélia Alves, continuou gravando músicas francesas e lançou ainda no mesmo ano mais três discos com músicas desse gênero.

Em 1950, gravou em dueto com Marlene o maxixe "Nego, meu amor", de José Maria de Abreu e Luiz Peixoto. No mesmo ano, lançou suas primeiras composições, o baião "Tá fartando coisa em mim", parceria com Humberto Teixeira, que obteve grande sucesso e "É amor". No mesmo ano, atuou no filme "Aviso aos navegantes", de Watson Macedo. Em 1951, gravou o samba "Obrigado", de sua autoria, que também obteve sucesso e a toada "Pinho sofredô", de Ariovaldo Pires e Fego Camargo. Continuou a fazer gravações de músicas francesas. No mesmo ano, atuou no filme "Aí vem o barão", de Watson Macedo. Tembém no mesmo ano, gravou com o Trio Madrigal a toada "Vancê!", de sua autoria e com Emilinha Borba a toada "Noite de luar", parceria com José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro.

Em 1952, participou dos filmes "É fogo na roupa", também de Watson Macedo" e "Barnabé, tu és meu", de José Carlos Burle. No total sua carreira conta com participação em 12 filmes. No mesmo ano, gravou o samba canção "Humanidade", de sua autoria. No mesmo ano, transferiu-se para a RCA Victor onde estreou com o fox "Amor de hoje", de Bruno Marnet e Ari Monteiro e o tango "Boulevard dos sonhos desfeitos", de Warren e Dublin, com versão de Haroldo Barbosa. No ano seguinte, gravou os baiões "Caxambu", de Zá Dantas e David Nasser, "Baião das velhas cantigas", de Jair Amorim e "Bobagem gostosa", de Mário Lago e Chocolate. No mesmo ano, fez sucesso com a valsa "João Bobo", de sua autoria. Em 1954, gravou a toada "O menino de Braçanã", de Luiz Vieira, a valsa "Sob o céu de Paris", de Giraud e Drejac, com versão de Quirino, o "Xote das meninas", de Luiz Gonzaga e Zá Dantas e a toada "Adeus gente", de Lúcio Alves e Osmar Campos Filho. No mesmo ano, gravou o samba "Lá vem a baiana", e Dorival Caymmi e o pot pourri "Romances de Caymmi", de Dorival Caymmi, Carlos Guinle e Alcyr Pires Vermelho. Ainda em 1954, iniciou sua carreira internacional, com grande sucesso, no Uruguai. Nessa época foi um dos artistas que mais recebia cartas de fãs na Rádio Nacional, cerca de quatro mil mensais, sendo superado somente por Emilinha Borba e Marlene.

No ano seguinte, gravou o choro "Falaram tanto de mim", de sua autoria, o fox trot "Montanha russa", de Roberto Roberti, Alcyr Pires Vermelho e Arlindo Marques Júnior, o forró "Xote miudinho (Forró de Quelemente)", de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, o baião "Farinhada", de Zé Dantas e o baião "A beleza da Chiquinha", de Humberto Teixeira. Seu samba-canção "Escuta" foi sucesso do ano de 1955, canção gravada inicialmente por Isaura Garcia, então no auge da carreira e logo depois por Ângela Maria, que o consagrou nas paradas de sucesso daquele ano. No mesmo período, foi escolhido em votação pela Revista do Rádio como o melhor cantor do ano. Em 1956 realizou show também em Portugal, no Teatro São Luís (atual Teatro Municipal de Lisboa). O sucesso foi tanto que imediatamente foi contratado para temporada no ano seguinte. Devido ao grande êxito desta temporada, recebeu a Rosa de Ouro, distinção conferida pelo governo português a personalidades mundiais. Ainda em 1956, gravou o xote "Casamento apresseguido", de Rui Morais e Silva e a rancheira "Perfume nacioná", de Zé Dantas. Foi, ainda no mesmo período, escolhido pela revista Radiolândia com o o "Melhor cantor do ano". Em 1957, gravou o fado "Sempre que Lisboa canta", de Aníbal Nazaré e Carlos Rocha. No mesmo ano, aos 29 anos de idade, lançou o disco "Meus melhores momentos", pela RCA, só com composições suas. Porém, dizia: "Não sou propriamente um autor ou compositor (...), apenas transporto para o papel e para as notas meu estado d'alma", conforme o encarte do disco. Sua carreira foi marcada inicialmente por um estilo romântico. Mais tarde passou a atuar em shows cantando, contando piadas e adotando o estilo chamado de one-man-show. Seu repertório também mudou, passando a cantar músicas nordestinas de teor humorístico. Em 1958, gravou um de seus maiores sucessos, o xote "Pisa na fulô", de João do Vale, Silveira Jr. e Ernesto Pires, que se tornou um marco na sua carreira. Em 1958, gravou um de seus maiores sucessos, o xote "Pisa na fulô", de João do Vale, Silveira Jr. e Ernesto Pires, que se tornou um marco na sua carreira. Ainda em 1958, na seção "O ouvinte desconhecido", o jornal O Globo assim reportou sobre o cantor: "Na sua conversinha com os telespectadores da TV Rio, na quarta-feira passada, no programa "Centro Comercial", o cantor Ivon Curi que às vezes chega a ser ingênuo, mas é sempre singelo e cordial, contou que gravara, sem maiores pretensões, um disco com a linda melodia de Antonio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes "Eu não existo sem você". E a seguir confessou, com certa candura, a surpresa que sentira com o sucesso alcançado pelo disco. Isto veio provar ao excelente cantor que também a música de melhor qualidade pode render bons cobrinhos... E às vezes até mais do que os bagulhos melódicos que são atirados ao mau gosto das pessoas de sensibilidade mais empedernida." Em 1959, gravou o baiões "Fui eu não" e "Cala a boca menino", de sua autoria, o xote "Sai menina", também de sua autoria e a canção "O retrato de Maria", parceria com Mário Meira Guimarães.

Em 1960, fez grande sucesso com o "Forró do beliscão", de Ari Monteiro, João do Vale e Leôncio. No ano seguinte, gravou o samba "Palhaçada", de Haroldo Barbosa e Luiz Reis e o xote "Eu estou que é ela só", de Hervê Cordovil. Em 1962, transferiu-se para a Odeon. Em 1971, realizou o show "Ivon Curi em todos os tempos", no Teatro Casa Grande, Rio de Janeiro, onde fez uma retrospectiva de sua carreira. O show resultou em um LP homônimo. Participou da noite carioca como proprietário de diversas casas noturnas, entre elas o Sambão e Sinhá, onde sempre cantava e recebia convidados. Em 1987, lançou o disco "Ivon Curi ontem e hoje" e ingressou na televisão como ator humorístico. Em 1992, participou da série de shows realizada no Teatro do BNDS em celebração aos 70 anos do Rádio no Brasil, ao lado de Dóris Monteiro, Emilinha Borba e Gerdal dos Santos, com roteiro e direção de R. C. Albin.

No ano de 1993, foi contratado pela TV Manchete para comandar o programa "Show da Manchete". Neste mesmo ano realizou o espetáculo "A França e 15 saudades", que originou seu último disco "Douce France". Sua última participação na televisão foi na TV Globo, no quadro humorístico de Chico Anysio "A escolinha do professor Raimundo". Participou em 1995 das gravações do disco "João Batista do Vale", lançado pela BMG, em tributo ao compositor João do Vale, na faixa "Forró do beliscão". Esta foi sua última gravação. Em 2002, sua família doou todo o seu acervo, composto de discos, troféus e fotos ao Instituto Cultural Cravo Albin, que passou a disponibilizá-lo para estudiosos e interessados em sua obra e carreira. Em 2005, em homenagem aos dez anos de sua morte foi lançado pelo selo Revivendo o CD "Farinhada à francesa" reunindo gravações suas realizadas entre 1948 e 1960, entre as quais, os sucessos "Farinhada", de Zé Dantas, "João Bobo", de sua autoria, "Doce mãezinha", de Lourival Faissal e Max Gold, "É vancê", de sua autoria, "Me leva", de Hervê Cordovil e Rochinha, e "O menino de Braçanã", de Luiz Vieira e Arnaldo Passos, além de gravações feitas em dueto como "Noite de luar", de José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro, gravada com Marlene, "Gauchita", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, em dueto com Carmélia Alves, e "Nego meu amor", de José Maria de Abreu e Luiz Peixoto, em dueto com Marlene.

Sua cidade natal prestou-lhe homenagem, dando seu nome a uma rua. Seu acervo, com discos, medalhas e fotos, foi doado pela família ao Instituto Cultural Cravo Albin em 2002.

Fonte - Dicionário Cravo Albin


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